Onde tudo é tradição!
Terça-feira, 2 de Agosto de 2005
A FONTE DO MURTAL

Junto à fonte vão beber

Duas meigas andorinhas,

Morrem de amor sem saber,

As águas são penas minhas!

(Fado das minhas penas: Francisco Bandeira Mateus)

 *****

Eu cresci com essa fonte,

No mesmo ano nascemos,

 Daquilo que lá vivemos,

As lembranças que vos conte,

Cobrem a altura de um monte!

Junto à Cêrca a vi correr,

Com límpidas águas encher,

Cântaros, asados, barris.

Consta que hoje os Javalis

Junto à fonte vão beber!

******

Duma ponta vinha "O Moço",

Da outra vinha o "Surrimpa",

Junto à nascente mais limpa,

 Ambos regavam do poço,

Via-os à hora de almoço,

No balanço às "braçadinhas",

A despejar "barriquinhas",

Para engrossar a levada.

Tinham visita marcada

Duas meigas andorinhas.

*****

Do Murtal que te estimava,

Quem hoje não se admira!

Toda essa gente tão gira,

Que sedenta te visitava,

Nos teus degraus se sentava,

Para o cansaço vencer,

Partiu para não mais te ver!

Correm águas da nascente,

Abandonadas à frente,

Morrem de amor, sem saber.

*****

Guarda-te a velha sobreira,

Que ao toque da leve aragem,

Faz ouvir entre a ramagem,

Em canto, a história inteira,

De quem descia a ladeira!

Do aspecto que antes tinhas,

Desde o cimo das escadinhas,

Olhando o teu fontanário,

Resta o meu imaginário,

As águas são penas minhas! ..

*********

de:

Conterrâneo Anónimo



publicado por Mimosa às 02:01
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